Contratar um seguro empresarial para clínica vai muito além de simplesmente garantir a estrutura física contra incêndio ou roubo. Na prática, uma apólice mal desenhada deixa descobertos exatamente os riscos que podem inviabilizar a operação: um processo por erro médico, a paralisação dos equipamentos ou até a interrupção do faturamento durante um reparo. Para o gestor que precisa prestar contas a sócios ou cumprir exigências contratuais, entender o que está escrito nas cláusulas é a diferença entre proteção real e um documento que apenas parece seguro.
A decisão de compra aqui é técnica e não pode ser baseada no preço da mensalidade. É preciso mapear a atividade fim da clínica, o porte da equipe, o valor dos equipamentos e o histórico de sinistros do setor para então definir coberturas como responsabilidade civil profissional, danos elétricos e lucros cessantes. Sem esse diagnóstico, a apólice genérica deixa lacunas perigosas.
Neste artigo, você confere o checklist essencial do que precisa estar no contrato e como a análise de um consultor especializado evita surpresas no momento do sinistro.
Seguro empresarial para clínica: por que ele é indispensável para o seu negócio?
Uma clínica concentra, em poucos metros quadrados, um volume de capital que raramente aparece em outros negócios do mesmo porte. Equipamentos de imagem, autoclaves, cadeiras odontológicas motorizadas, mobiliário técnico e estoque de medicamentos ou insumos formam um patrimônio que pode superar facilmente R$ 300 mil em um consultório de especialidade média. Quando um evento como um curto-circuito ou um rompimento de tubulação atinge esse ambiente, o prejuízo não se limita ao conserto — ele se estende à paralisação do faturamento, ao reagendamento de pacientes e à possível perda de contratos com operadoras.
O seguro empresarial para clínica existe justamente para transferir essa concentração de risco a uma seguradora, mediante uma apólice desenhada para o funcionamento real de um estabelecimento de saúde. Diferente de um seguro residencial ou de um plano de assistência, ele combina coberturas patrimoniais, de responsabilidade civil e de lucros cessantes em um único contrato. Sem essa proteção, qualquer sinistro de médio porte obriga o proprietário a recompor o capital de giro do próprio bolso — e, em muitos casos, a interromper o atendimento por semanas.
Há ainda um componente regulatório e contratual que torna o seguro relevante para clínicas que atendem convênios ou participam de credenciamentos. Operadoras de saúde e hospitais parceiros costumam exigir apólices de responsabilidade civil com limites mínimos antes de firmar contrato. O seguro deixa de ser apenas uma decisão de gestão de risco e passa a ser condição para manter o negócio operando dentro de redes de atendimento.
Principais riscos que uma clínica enfrenta e que a apólice deve cobrir
O primeiro risco é o elétrico. Clínicas operam com carga concentrada — autoclaves, compressores, aparelhos de raio-X, ultrassom e sistemas de informática ligados simultaneamente em redes que nem sempre foram dimensionadas para essa demanda. Dados do setor segurador brasileiro apontam que danos elétricos estão entre as causas mais frequentes de sinistro em pequenos e médios estabelecimentos comerciais, superando até mesmo incêndios em número de ocorrências.
O segundo risco é a responsabilidade civil. Um paciente que escorrega na recepção, um erro de dosagem cometido por um profissional da equipe, um vazamento que danifica o consultório vizinho — todos esses eventos geram obrigação de indenizar. Em clínicas, a exposição é maior que no comércio comum porque o serviço envolve intervenção sobre o corpo humano, o que amplia o valor potencial de ações judiciais e acordos extrajudiciais.
- Curto-circuito e sobretensão em equipamentos de diagnóstico
- Incêndio iniciado em central de esterilização ou compressor
- Vazamento de água que atinge imóvel vizinho ou piso inferior
- Queda de paciente ou acompanhante nas dependências
- Roubo de equipamentos portáteis e notebooks com prontuários
- Erro de procedimento gerando ação de indenização
- Paralisação prolongada por interdição da vigilância sanitária
O terceiro risco é o de interrupção. Uma clínica que fatura R$ 80 mil por mês perde cerca de R$ 2.600 por dia útil parado, sem contar custos fixos como aluguel, folha de pagamento e contratos de manutenção que continuam correndo. A cobertura de perda de receita existe para cobrir exatamente esse buraco, reembolsando o faturamento que deixou de entrar durante o período de recuperação do imóvel ou dos equipamentos.
Coberturas essenciais que não podem faltar na apólice de uma clínica
Uma apólice de seguro empresarial para clínica bem montada combina coberturas básicas com cláusulas específicas para o segmento de saúde. O erro mais comum é contratar um seguro empresarial genérico, pensado para escritórios ou lojas, e descobrir no sinistro que equipamentos de diagnóstico ou a responsabilidade profissional não estavam incluídos. A seguir, as coberturas que precisam estar expressas no contrato, com seus limites e particularidades.
Incêndio, queda de raio e explosão: a base da proteção patrimonial
Esta é a cobertura estruturante de qualquer apólice empresarial e cobre danos físicos ao imóvel (quando a clínica é proprietária) ou às benfeitorias realizadas no imóvel alugado. No caso de clínicas instaladas em salas comerciais, o seguro cobre as benfeitorias — divisórias, instalações elétricas, piso técnico, revestimentos — que o locatário fez e que não pertencem ao proprietário do prédio. Sem essa cláusula específica de benfeitorias, o locatário pode descobrir que o seguro do condomínio só cobre a estrutura do edifício, deixando todo o investimento interno desprotegido.
A queda de raio merece atenção especial em clínicas com equipamentos eletrônicos, pois o dano por sobrecarga atmosférica muitas vezes se manifesta como queima de placas e fontes, não como incêndio visível. A cobertura de incêndio com cláusula de danos elétricos é que responde por esses casos, desde que a apólice preveja expressamente a extensão.
Responsabilidade civil profissional: proteção contra erros e omissões
Esta cobertura responde por danos causados a pacientes em decorrência de atos profissionais — erro de diagnóstico, falha em procedimento, omissão de informação relevante, reação adversa a tratamento. É diferente da responsabilidade civil geral, que cobre danos no estabelecimento; aqui o foco é o exercício da profissão de saúde. O limite de cobertura deve ser definido com base no perfil de procedimentos realizados: uma clínica de estética que faz procedimentos invasivos precisa de limite maior que um consultório de psicologia, por exemplo.
É importante verificar se a apólice cobre apenas o titular ou também os profissionais contratados, sócios e plantonistas. Em clínicas com equipe multidisciplinar, o ideal é que a cobertura seja contratada em nome da pessoa jurídica, estendendo-se a todos os profissionais que atuam sob o CNPJ da clínica, com a lista de especialidades descrita na proposta.
Responsabilidade civil geral: danos a terceiros dentro das suas instalações
Esta cobertura responde por danos corporais, materiais ou morais causados a terceiros — pacientes, acompanhantes, fornecedores, visitantes — dentro do estabelecimento ou em decorrência de suas operações. O exemplo clássico é a queda de um paciente na rampa de acesso ou o derramamento de produto químico que danifica a roupa de um acompanhante. Em clínicas, o fluxo diário de pessoas com mobilidade reduzida ou estado de saúde fragilizado aumenta a probabilidade de acidentes.
Também entram aqui danos causados a imóveis vizinhos, como infiltração de água da autoclave que atinge a sala ao lado ou queda de letreiro sobre veículo estacionado. A cobertura de responsabilidade civil geral costuma ter limite separado da responsabilidade profissional, e o ideal é que ambos estejam previstos na mesma apólice com valores adequados a cada exposição.
Cobertura para equipamentos e conteúdos: proteja seus aparelhos e móveis
A cobertura de conteúdos protege tudo o que está dentro da clínica e não faz parte da estrutura do imóvel: equipamentos de diagnóstico, cadeiras, autoclaves, computadores, mobiliário, estoque de materiais e medicamentos. Em clínicas, o valor segurado de conteúdos costuma ser o item mais alto da apólice, muitas vezes superando o valor das benfeitorias. Um tomógrafo odontológico, por exemplo, pode custar entre R$ 80 mil e R$ 250 mil dependendo do modelo.
É essencial que a apólice preveja cobertura para equipamentos em trânsito ou em manutenção fora do estabelecimento, caso a clínica envie aparelhos para calibração ou reparo. Também vale verificar se há cláusula de reposição por equipamento novo ou se a indenização será pelo valor de mercado, já que equipamentos médicos depreciam rapidamente e a diferença pode ser significativa no momento do sinistro.
Perda de receita e interrupção de negócios: como manter o caixa durante imprevistos
A cobertura de lucros cessantes, também chamada de interrupção de negócios, reembolsa o faturamento que a clínica deixa de gerar enquanto estiver impossibilitada de operar após um sinistro coberto. O período de indenização — geralmente de 30, 60 ou 90 dias — é definido na contratação e deve corresponder ao tempo realista de recuperação: reforma do imóvel, reposição de equipamentos importados, liberação da vigilância sanitária.
Clínicas que dependem de equipamentos de reposição demorada, como aparelhos de imagem importados, devem considerar período de indenização de pelo menos 60 dias. Também é possível incluir a cobertura de despesas fixas, que reembolsa custos como aluguel, folha de pagamento e contratos de manutenção que continuam sendo devidos mesmo com a clínica fechada. Sem essa cobertura, o sinistro patrimonial se transforma em crise de caixa em poucas semanas.
Cobertura para danos elétricos: essencial para clínicas com equipamentos sensíveis
A cobertura de danos elétricos responde por queima de equipamentos causada por curto-circuito, sobretensão, variação de voltagem ou descarga atmosférica que não chega a causar incêndio. Em clínicas, essa é uma das coberturas mais acionadas, justamente pela quantidade de aparelhos eletrônicos sensíveis conectados à rede: monitores, sensores, placas de controle de cadeiras odontológicas, compressores com partida eletrônica, centrais de esterilização.
Para que a cobertura funcione, a clínica precisa comprovar a existência de dispositivos de proteção — disjuntores adequados, estabilizadores, nobreaks ou supressores de surto nos equipamentos críticos. A apólice pode prever a obrigação de manutenção periódica desses sistemas, e a falta de comprovação pode ser usada como argumento para negativa de sinistro. Vale documentar as revisões elétricas e guardar as notas fiscais dos dispositivos de proteção instalados.
Proteção para dados e cibersegurança: um diferencial moderno
Clínicas armazenam dados sensíveis de saúde — prontuários, exames, imagens, informações de convênio — que são protegidos pela LGPD e têm alto valor de revenda no mercado ilegal. A cobertura de riscos cibernéticos responde por vazamento de dados, ataque de ransomware que sequestra o sistema de agendamento, fraude eletrônica e custos de notificação de pacientes afetados. Em 2023, o setor de saúde foi o segundo mais atacado por ransomware no Brasil, atrás apenas do setor financeiro.
Essa cobertura pode incluir despesas de resposta a incidentes, contratação de peritos, custos de defesa em processos administrativos da ANPD e até pagamento de resgate, dependendo da seguradora. Para clínicas que utilizam prontuário eletrônico, agenda online ou telemedicina, a proteção cibernética deixou de ser opcional e passou a compor o pacote básico de gestão de risco.
Coberturas adicionais que fazem a diferença para clínicas e consultórios
Além das coberturas essenciais, algumas cláusulas acessórias podem ser incluídas por um custo relativamente baixo e fazem diferença real na operação de uma clínica. Elas cobrem situações específicas do dia a dia que, sem previsão contratual, ficariam sem indenização. A decisão de incluir ou não cada uma deve considerar o perfil da clínica, o tipo de atendimento e a estrutura física.
Acidentes pessoais para estagiários e colaboradores
A cobertura de acidentes pessoais protege financeiramente os colaboradores da clínica em caso de acidente dentro ou fora do ambiente de trabalho, complementando o seguro de acidentes de trabalho (SAT) obrigatório. Ela paga indenização por morte acidental, invalidez permanente e reembolso de despesas médicas. Para clínicas que recebem estagiários de cursos técnicos e universidades, essa cobertura é frequentemente exigida pelas instituições de ensino como condição para firmar o convênio de estágio.
O valor do capital segurado por pessoa pode ser definido em faixas, e a apólice pode incluir todos os colaboradores registrados ou apenas um grupo específico. Em clínicas com equipe reduzida, o custo dessa cobertura costuma ser irrisório diante do benefício de proteção oferecido.
Quebra de vidros, letreiros e fachadas
Clínicas localizadas em andares térreos ou salas comerciais com fachada de vidro estão expostas a quebras por vandalismo, tentativa de arrombamento, impacto acidental ou intempéries. A cobertura de quebra de vidros cobre a reposição de vidros planos, espelhos, letreiros, luminosos e placas de identificação. Em fachadas de vidro temperado, o custo de reposição com mão de obra especializada pode passar de R$ 5 mil por painel.
Essa cobertura também pode incluir os vidros de equipamentos, como portas de autoclave e displays de aparelhos, desde que especificados na proposta. Para clínicas que investem em identidade visual — letreiros iluminados, totens, adesivagem — a inclusão de letreiros e fachadas na cobertura protege esse investimento contra danos externos.
Aluguel de equipamentos e reposição de estoque
Quando um equipamento essencial é danificado, a clínica não pode esperar semanas pela reposição. A cobertura de aluguel de equipamentos reembolsa o custo de locação de aparelhos equivalentes durante o período de reparo ou substituição, permitindo que o atendimento continue. É especialmente útil para clínicas odontológicas que dependem de cadeiras motorizadas ou clínicas de imagem que não podem interromper a agenda de exames.
Já a cobertura de reposição de estoque cobre perdas de materiais perecíveis, medicamentos, vacinas e insumos que exigem refrigeração. Uma falha no sistema de refrigeração da sala de vacinas pode inutilizar milhares de reais em imunobiológicos em poucas horas. A apólice pode prever cobertura específica para deterioração de estoque por variação de temperatura, desde que o sistema de monitoramento esteja instalado e operante.
Tipos de seguro empresarial para clínicas: qual escolher?
O mercado segurador brasileiro oferece diferentes formatos de apólice para clínicas e consultórios, cada um com nível de abrangência e custo distintos. A escolha depende do porte da clínica, do número de profissionais, do tipo de procedimento realizado e do grau de exigência de contratos e credenciamentos. Entender as diferenças evita pagar por coberturas desnecessárias ou, pior, ficar desprotegido em situações críticas.
Seguro compreensivo empresarial: a solução mais completa
O seguro compreensivo empresarial reúne em uma única apólice as coberturas patrimoniais básicas — incêndio, raio, explosão, danos elétricos, vendaval, roubo — e permite a inclusão de coberturas adicionais como responsabilidade civil, lucros cessantes, danos a equipamentos e quebra de vidros. É o formato mais indicado para clínicas de pequeno e médio porte que querem proteção ampla sem a complexidade de gerenciar múltiplos contratos.
Nesse formato, cada cobertura tem um limite máximo de indenização (LMI) independente, definido na proposta. A vantagem é a flexibilidade: a clínica pode contratar incêndio com limite alto para proteger o patrimônio e responsabilidade civil com limite adequado ao perfil de atendimento, ajustando o prêmio ao orçamento disponível. A desvantagem é que, por ser modular, exige leitura cuidadosa para garantir que todas as coberturas necessárias foram efetivamente incluídas.
Seguro para clínicas odontológicas: especificidades e cuidados
Clínicas odontológicas têm particularidades que exigem atenção na contratação. O parque de equipamentos é concentrado e de alto valor — cadeiras odontológicas completas, aparelhos de raio-X panorâmico, tomógrafos, scanners intraorais, autoclaves — e parte desses equipamentos tem reposição demorada por serem importados. A cobertura de danos elétricos é indispensável, assim como a de lucros cessantes com período de indenização compatível com o prazo de importação de peças.
A responsabilidade civil profissional odontológica cobre danos decorrentes de procedimentos como implantes, extrações, tratamentos de canal e procedimentos estéticos. O mercado segurador brasileiro registra aumento de ações por insatisfação com resultados estéticos em procedimentos como lentes de contato dental e harmonização. O limite de cobertura deve considerar o volume de procedimentos estéticos realizados, que tendem a gerar demandas mais frequentes e de valores mais altos.
Seguro para clínicas médicas e consultórios: o que muda?
Clínicas médicas e consultórios de especialidades enfrentam exposição diferente conforme o tipo de atendimento. Um consultório de clínica geral tem risco de responsabilidade civil moderado; uma clínica de cirurgia plástica ou de procedimentos minimamente invasivos tem exposição significativamente maior. A apólice deve refletir essa diferença, com limites de responsabilidade civil profissional proporcionais ao risco da especialidade.
Outro ponto específico é a cobertura para medicamentos e materiais de alto custo. Clínicas de oncologia, por exemplo, mantêm estoque de medicamentos que pode ultrapassar R$ 100 mil em uma única prateleira. A cobertura de conteúdos precisa prever essa realidade, incluindo cláusula de deterioração de estoque por falha de refrigeração e cobertura para perda de medicamentos controlados, que têm regras específicas de descarte e reposição.
Como avaliar o valor da apólice e definir a indenização ideal
Definir o valor segurado correto é tão importante quanto escolher as coberturas certas. Um valor subestimado leva à aplicação de rateio no momento do sinistro — a seguradora paga proporcionalmente menos, alegando que o bem estava segurado abaixo do valor real. Um valor superestimado, por outro lado, encarece o prêmio sem benefício prático, já que a indenização nunca ultrapassa o prejuízo efetivamente comprovado.
Critérios para calcular o valor do seguro da sua clínica
O primeiro passo é levantar o valor de reposição dos bens, não o valor de compra original. Equipamentos comprados há cinco anos podem custar hoje mais caro devido à variação cambial, especialmente os importados. O valor segurado de conteúdos deve corresponder ao custo de reposição por equipamento novo de características equivalentes, incluindo frete, instalação e calibração. Para benfeitorias, o cálculo deve considerar o custo atual de reconstrução das instalações, não o valor investido na época da reforma.
O segundo critério é o valor do faturamento mensal para dimensionar a cobertura de lucros cessantes. A regra prática é multiplicar o faturamento médio mensal pelo número de meses do período de indenização desejado. Uma clínica que fatura R$ 60 mil por mês e quer proteção por 60 dias precisa de limite de pelo menos R$ 120 mil nessa cobertura, acrescido das despesas fixas do período.
- Valor de reposição de equipamentos por modelo novo equivalente
- Custo atual de reconstrução das benfeitorias e instalações
- Faturamento médio mensal multiplicado pelo período de paralisação
- Despesas fixas mensais que persistem durante a interdição
- Valor do estoque de medicamentos, insumos e materiais
- Limite de responsabilidade civil compatível com a especialidade
Franquias e limites de cobertura: como equilibrar custo e proteção
A franquia é o valor que a clínica paga do próprio bolso em cada sinistro antes de acionar a seguradora. Franquias mais altas reduzem o prêmio, mas comprometem o caixa em caso de sinistro. Para coberturas patrimoniais, uma franquia de 10% do valor do sinistro é comum; para responsabilidade civil, a franquia pode ser fixa ou percentual sobre a indenização. O equilíbrio está em definir franquias que a clínica consiga absorver sem comprometer a operação, mantendo o prêmio em patamar sustentável.
Os limites máximos de indenização devem ser revisados anualmente. O crescimento da clínica — novos equipamentos, ampliação de salas, aumento de equipe, novos procedimentos — altera o perfil de risco e exige atualização dos valores. Uma clínica que comprou um tomógrafo de R$ 180 mil e não atualizou o limite de conteúdos está automaticamente subsegurada, sujeita a rateio em qualquer sinistro que atinja o parque de equipamentos.
Passo a passo para contratar o seguro empresarial ideal para sua clínica
A contratação de seguro empresarial para clínica não deve ser feita com pressa nem baseada apenas no menor preço. O processo envolve levantamento de informações, comparação técnica de propostas e análise de cláusulas que podem fazer diferença no momento do sinistro. Seguir um método estruturado reduz a chance de lacunas de cobertura e garante que o contrato atenda às necessidades reais da operação.
Levante o perfil completo do seu negócio antes de cotar
Antes de pedir cotações, reúna informações precisas sobre a clínica: endereço completo, área construída, tipo de imóvel (próprio ou alugado), valor das benfeitorias, relação de equipamentos com valor de reposição, número de colaboradores, especialidades atendidas, faturamento médio mensal e existência de contratos que exijam seguro. Esses dados alimentam a proposta e evitam retrabalho ou subavaliação na hora de definir valores.
Também é o momento de mapear as exigências contratuais: operadoras de saúde, instituições de ensino que enviam estagiários, administradoras de shopping ou condomínio comercial podem ter requisitos específicos de cobertura e limites mínimos. A apólice precisa atender a todas essas exigências para que a clínica não enfrente problemas de conformidade posteriormente.
Compare propostas de seguradoras: o que observar além do preço
A comparação de propostas deve ir além do valor do prêmio. Verifique se todas as coberturas solicitadas estão incluídas com os limites corretos, se as franquias são equivalentes entre as propostas e se as cláusulas de exclusão não retiram proteção essencial. Uma proposta mais barata pode ter limite de responsabilidade civil menor, franquia mais alta ou excluir cobertura de danos elétricos — diferenças que só aparecem na leitura atenta das condições.
Avalie também a reputação da seguradora em sinistros do segmento de saúde, o prazo médio de regulação e a rede de assistência disponível. Uma seguradora com histórico de negativas ou demora na regulação pode transformar um sinistro em um problema maior do que a própria perda material. A experiência de um corretor especializado em seguros empresariais faz diferença nessa análise comparativa, pois ele conhece o comportamento de cada seguradora em situações reais.
Documentos necessários para fechar o contrato
Para formalizar a apólice, a seguradora solicita documentos básicos que comprovam a existência e a regularidade da clínica. O conjunto típico inclui CNPJ, contrato social ou requerimento de empresário, comprovante de endereço do estabelecimento, relação de equipamentos com notas fiscais ou laudo de avaliação, e questionário de risco preenchido com as informações da operação. Em clínicas com procedimentos de maior risco, a seguradora pode solicitar alvará sanitário e comprovação de capacitação dos profissionais.
- CNPJ e contrato social atualizado da clínica
- Comprovante de endereço e IPTU do imóvel
- Relação de equipamentos com notas fiscais ou laudo técnico
- Alvará sanitário e licenças de funcionamento
- Questionário de risco preenchido com dados da operação
- Relação de colaboradores para cobertura de acidentes pessoais
Perguntas frequentes sobre seguro empresarial para clínicas
O seguro empresarial cobre erros médicos ou odontológicos?
Sim, desde que a apólice inclua a cobertura de responsabilidade civil profissional. Essa cobertura responde por danos causados a pacientes em decorrência de atos, erros ou omissões no exercício da profissão. É fundamental verificar se a cobertura abrange todos os profissionais que atuam na clínica e se as especialidades exercidas estão descritas na proposta, pois procedimentos fora da especialidade declarada podem não estar cobertos.
É obrigatório ter seguro para clínica ou consultório?
Não há lei federal que obrigue clínicas e consultórios a contratar seguro empresarial. No entanto, a exigência pode vir de contratos com operadoras de saúde, de convenções coletivas de trabalho, de editais de credenciamento ou de contratos de locação de imóveis comerciais. Além disso, o seguro de acidentes de trabalho é obrigatório para qualquer empregador, sendo recolhido via SAT ou GFIP, e não substitui o seguro empresarial.
Como funciona a cobertura para equipamentos de alta tecnologia?
Equipamentos de alta tecnologia, como tomógrafos, aparelhos de ressonância e scanners, podem ser segurados dentro da cobertura de conteúdos com limite específico ou em apólice separada de equipamentos. A cobertura pode ser contratada a primeiro risco absoluto — em que a seguradora indeniza até o limite contratado sem aplicar rateio — ou com rateio proporcional. É importante declarar o valor de reposição por equipamento novo e verificar se a apólice cobre danos elétricos, quebra interna e custos de reinstalação e calibração.
Posso incluir a proteção para estagiários na mesma apólice?
Sim, a cobertura de acidentes pessoais pode ser incluída na apólice empresarial da clínica, com capital segurado definido por pessoa ou por faixa. É comum que instituições de ensino exijam um valor mínimo de cobertura para estagiários, e a apólice empresarial pode atender a essa exigência desde que o grupo de estagiários esteja expressamente incluído na proposta. A cobertura vale para acidentes ocorridos no trajeto e no exercício das atividades de estágio, conforme as condições contratuais.
O que fazer em caso de sinistro? Passo a passo para acionar o seguro
O primeiro passo é comunicar o sinistro à seguradora ou ao corretor imediatamente após o ocorrido, respeitando o prazo estipulado na apólice — geralmente de 1 a 3 dias úteis. Em seguida, registre boletim de ocorrência nos casos de roubo, furto, vandalismo ou acidente com vítima. Fotografe os danos, preserve o local para vistoria e reúna documentos como notas fiscais dos bens atingidos, orçamentos de reparo e comprovantes de prejuízo. A seguradora enviará um perito para avaliar os danos e, após a regulação, fará a indenização conforme as condições contratadas.