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A vez do seguro

segunda-feira, 1 de março de 2010 -

Fonte: CQCS

George Vidor
Dentro de dez anos o mercado segurador no Brasil será igual ou maior que o sistema bancário. Delírio do atual Superintendente de Seguros Privados, Armando Vergílio, autor da previsão? Os dados, e o que está para acontecer ainda este ano, apontam na direção que ele vislumbra. Só em 2009 o mercado segurador, de previdência privada e capitalização deu um salto para 3,5% do PIB.

E nessa conta não entram os seguros de planos de saúde. Se o mercado segurador mantiver o atual ritmo de expansão, no meio da década corresponderá a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. É possível que esse ritmo se acelere, tanto pela massificação do seguro, quanto pela necessidade de se assegurar garantias aos investimentos que se concretizarão nos próximos anos.

O chamado microsseguro, em fase de estruturação, tem como público alvo nada menos que cem milhões de pessoas. O seguro do crédito habitacional deve se multiplicar, e baratear.

Hoje corresponde, em média, a 15% do valor da prestação do imóvel (em alguns casos chega a 40%). Com a mudança das regras, que acirraram a concorrência no setor, esse custo deve recuar para 2%.

Estão programadas também normas para baratear o seguro de automóveis com mais de quatro anos de fabricação - nem os proprietários desses veículos, nem as seguradoras têm interesse em fechar contratos nas condições ainda vigentes.

E nessa linha de massificação surgirão dois produtos novos (que precisam ser autorizados por lei ou medida provisória): um seguro de vida, atrelado a um fundo de previdência privada (VGBL), direcionado a pessoas que se aposentarão em um horizonte de dez anos e que não pagarão qualquer imposto sobre os rendimentos, se os valores forem totalmente aplicados em um plano de saúde; e um seguro semelhante - também isento de tributação - se os rendimentos forem para custear a educação de algum ente querido.

Ambos ajudarão a remover um motivo de angústia das pessoas de classe média quando elas se aproximam da aposentadoria.

O seguro para produtores rurais pode se tornar efetivamente uma realidade com o fundo que cobrirá grande parte das indenizações pagas pelas seguradoras em caso de uma catástrofe climática que afete a lavoura (o que reduzirá significativamente o risco do mercado nesse tipo de operação).

Além disso, o fim do monopólio do resseguro (o seguro do seguro) atrairá muitos investimentos para este segmento. Já há seis companhias operando plenamente.

O IRBBrasil Re deve perder a característica de empresa estatal, mesmo com o Banco do Brasil adquirindo os 50% do capital que pertencem ao Tesouro Nacional.

Não por acaso que os próprios bancos estão com suas atenções cada vez mais voltadas para o mercado segurador.

Vem aí a campanha eleitoral, e antes que ela esquente e os ânimos se exaltem, arrisco-me a abordar alguns temas polêmicos cuja exploração política, se desvirtuada, farão o país andar para trás. É o caso, por exemplo, da Petrobras.

A empresa se agigantou, com muitos pontos positivos e também vários negativos.

E tais resultados não se devem apenas a este ou aquele governo.

Durante o governo do general João Figueiredo a meta para a produção nacional de petróleo foi estabelecida em 500 mil barris diários. Em 1985, a produção chegou a 564 mil barris/dia graças à Bacia de Campos. Em 1993, não havia passado ainda de 693 mil barris diários.

O grande salto de fato ocorreu de 1995 a 2002, quando a produção alcançou pela primeira vez 1,5 milhão de barris diários.

Atualmente anda próxima de dois milhões.

Nesse período houve a abertura do mercado brasileiro de petróleo, do qual a Petrobras, mesmo com a quebra do antigo monopólio, foi a companhia que mais se beneficiou, pois se livrou de amarras que lhe tiravam competitividade e serviam de justificativa para uma certa acomodação na empresa. No ano 2000, os investimentos da Petrobras deixaram de depender de prévia autorização do Congresso. E nas compras de maior valor, a estatal ganhou autonomia para encomendar o que melhor lhe conviesse, técnica e financeiramente.

Pela teoria conspirativa da história, isso tudo talvez já fosse uma armação maquiavélica para a privatização da companhia. Não é o que dizem especialistas nessa questão, pois se essa fosse a real intenção não faria sentido o fechamento do capital de algumas subsidiárias (BR e Petroquisa), a incorporação da Braspetro pela empresa mãe, e a criação da Gaspetro e da Transpetro.

O pré-sal e outros acontecimentos mais recentes possivelmente serão objeto de disputa de paternidade (ou maternidade) entre os candidatos do governo e da oposição. Neste caso não há méritos exclusivos: foram muitos anos de pesquisa, com contribuições de diferentes administrações.

O grupo goiano que adquiriu o desativado Hotel Nacional, em São Conrado, pretende executar o projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer - para o qual já existe licença municipal - que prevê a construção de mais uma área de hospedagem e ampliação do setor de eventos (convenções e teatros).

O hotel, ampliado, oferecerá 1.500 leitos, 15% do aumento de capacidade que o Rio precisa para a Copa de 2014.

Quando reabrir, depois de restaurado, o Hotel Nacional possivelmente contará com um estacionamento subterrâneo, que sempre fez falta ali.

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